terça-feira, 27 de abril de 2010

Marasmo na TV

E pra inaugurar a o blog... Um fato televisivo.

Eu fico a me perguntar: onde vai parar essa novela das oito? Aliás, essa seria uma pergunta até desnecessária por que 'parar' é palavra de ordem ali.
Eu que sou fã incondicional da maneira "manéquica" de escrever textos e situações com a delicadeza e a precisão do cotidiano (ele não perde mesmo nem um detalhe) devo me render à realidade dos fatos: Essa novela não funciona. Vamos às justificativas

Não. Não vou cair no clichê e pôr a culpa na talentosíssima Taís Araújo. As "Helenas" são mesmo cansativas. A meu ver (modesto ver) o fracasso de 'Viver a Vida' nada tem a ver com o elenco.Entrego a 'culpa' nas mãos do Sr. autor que se abstém de escrever cenas novas, de explorar os diversos núcleos. Ele simplesmente reduziu a novela a dois ou três núcleos, sendo um (Luciana) explorado com a mediocridade da repetição,um agua-com-açucar-mais-sem-fim.Algumas boas doses de emoção foram raras.

O que prende o telespectador em frete a TV pra ver uma novela, nesse caso é nada mais que a cruel falta do que fazer. Seja ela por falta de grana da maioria, ou de oportunidade, ou de criatividade pra exercitar o ócio. Pois uma vez que se tenha algo que preencha o tempo , creio eu, seriam poucos os que ficariam pra ver.Essa é uma novela da qual não se espera o próximo acontecimento, pois ele não acontece mesmo, se acontece a dose de entusiasmo é fielmente adulterada. Parece que foi escrita sem esmero, com preguiça. Ah, ainda tem um núcleo de humor-de-novela-das-sete, que de fato faz rir, porém não combina nada com o ar de rotina que as novela de Maneco propõem.

Para além do marasmo das tramas atribuo a culpa à parceria infeliz de Maneco com Jayme Monjardim. O diretor tem um estilo lento de mostrar as coisas que definitivamente não conversa com a idéia cotidiana e rotineira da novela. Ex: a câmera parada, mostrando closes dos prédios do Rio de Janeiro, as músicas de fundo com um ar épico, sombrio, e pra coroar: um céu alaranjado, que tira a alegria do que se vê.

Pronto, falei! Essa foi a parte cruel da coisa.
Mesmo assim, o texto de Maneco (quando lembra que tem uma novela das oito pra escrever), continua só emoção e autenticidade, não há outro igual.

Cynthia Osório